Tema do dia

O importante na Vida

O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.
Fernando Pessoa

Distanciamento das Redes Sociais

Recentemente, passei quatro dias afastada de redes sociais. E para ser sincera, foi uma das melhores coisas que já fiz! Senti-me mais livre! Recomendo a todas as pessoas que estão ler isto a fazerem o mesmo, distanciarem-se do Instagram, WhatsApp e todos os meio de comunicação que tiverem. Claro, podem avisar os vossos familiares ou amigos de que o vão fazer.

Durantes estas férias das redes sociais, tive tempo de acabar de ver duas séries: Sex and City e Dark, acrescento que são ambas muito boas séries que recomendo ver. Também vi o novo filme da saga Fantastic Beasts: Crimes de Grindelwald. E ainda no meio de tanto filme e série ainda tive tempo de ler o livro, “Os segredos que o nosso corpo revela”, algo que nunca tive tempo, com a escola, as distrações do Instagram e das mensagens.

Quando estas férias acabaram a realidade chegou. E é horrível! Estavam a chegar todas estas perguntas, “Onde estás?”, “Está tudo bem?”, “O que se passa?”, “Deixaste de responder”. E agora odeio esse tipo de perguntas. Em primeiro lugar eu não sei o que responder, não posso simplesmente dizer-lhes que tirei umas pequenas férias das redes sociais, dúvido muito que eles entendessem. A única pessoa que sabia era a minha amiga alemã, Lily. E em segundo lugar, eu achava que depois de estes dias fora eu iria sentir-me bem ao pé dos meus amigos em vez de ser uma chatice e algo que me irritava um pouco como já estava a começar a ser, talvez porque estava com eles todos os dias e falava comm eles todos os dias. Mas em vez disso nada mudou, falar com eles continuava a ser algo que me custava e que por muito que seja dificil de admitir, falar com eles começara a ser mais um obrigação do que propriamente algo que eu gostasse realmente.

Mas para além disto tudo o mais importante foi como me senti durante o tempo que estive fora das redes sociais que foi muito bem e livre.

Recomendo que façam o mesmo que eu fiz

Protegam-se e fiquem bem!
Até à próxima!
25/07/2020
🖤 Sam 🖤

CASA

Às vezes, e acho que já aconteceu a todos nós, sinto que a casa onde vivo não é realmente a minha casa, se é que me entendem. Ouço muito dizer “Casa é onde o coração está” mas como sabemos onde fica a nossa casa se não sabemos onde está o nosso coração?

Mas o que então é Casa? Uma casa é onde nos sentimos a salvo, felizes, é quando estamos sozinhos sem realmente o estarmos, é onde nos perdemos nos nossos próprios pensamentos, onde e quando estamos tristes temos a nossa casa para nos confortar.
Pode ser uma pessoa, um local, nós próprios, um objeto com sentimentos apegados. Por isso como vêem casa é mesmo onde o coração está. Mas lá está o mesmo dilema: Então onde está o coração? Estará perdido à procura de uma casa? Ou serei eu que ainda não o encontrei? Tenho-me feito estas perguntas desde que me lembro. E para mim a maior pergunta de todas é: Como é que encontramos algo se estamos perdidos?

Ultimamente tenho feito estas pequenas viagens com os meus pais. Nelas desligo tudo. Enquanto eu e a minha mãe estamos na praia o meu pai vai dar uma volta (ele não gosta muito de praia).
Quando estou dentro do carro a ver as árvores a passarem, sinto-me em casa, feliz e em paz e para mim, isso é casa, até mesmo só estar deitada na areia e sentir o vento a passar por mim é casa. Nestes momentos esqueço-me do resto e foco-mesmo no momento em que estou. Esqueço-me dos meus amigos, da escola, dos imensos trabalhos que a escola me deu para fazer. Todos os problemas são levados pelo vento e pelas ondas do mar. Deixo de sentir o peso nos meus ombros.
Creio que estou a decrever o que é a minha casa.

Protejam-se e fiquem bem!
Até à próxima!
02/08/2020
🖤 Sam 🖤

Como a COVID-19 um dia o céu irá cair sobre as nossas cabeças

Vivemos tempos absolutamente excepcionais com a mais grave crise sanitária desde a “Gripe Espanhola” que, entre 1918 e 1920, infectou mais de 500 milhões de pessoas, ou seja, um quarto da população global da época. Julgávamos viver imunes a este tipo de crise de grande escala, protegidos pela ciência e pela medicina moderna, quando um pequeno ser vivo (o SARS-CoV-2) nos veio recordar que, afinal, continuamos vulneráveis.

Se nas nossas vidas já podemos contar a grande crise financeira de 2007/2008 e, agora, a Pandemia de COVID-19, será que iremos somar a esta triste lista uma terceira: um grande impacto meteórico? Como as duas primeiras, esta crise é inevitável (ou ainda mais) e a verdade é que estamos ainda menos preparados para a antecipar, impedir e mitigar do que estávamos para qualquer uma das duas anteriores.

Todos os dias há milhões de pequenos meteoritos que colidem com a Terra: quanto menores: mais comum é a sua queda. Isto quer dizer que colisões com asteroides de grandes dimensões, por exemplo de um 1 Km de diâmetro ocorrem, em média, uma vez em cada 500 mil anos. Um destes asteróides, com esta escala de grandeza (cerca de 10 Km) foi o que provocou a “grande extinção” do Cretáceo. Mas estes fenómenos não são assim tão raros. Asteróides de pequenas dimensões, de entre 5 a 10 metros de diâmetro, chegam à atmosfera em ciclos anuais com a mesma energia da bomba nuclear de Hiroshima mas desfazem-se ao atravessar a atmosfera e apenas pequenos fragmentos chegam ao solo ou, simplesmente, não chegam de todo. Asteróides com 50 metros ou mais colidem com a Terra em cada mil anos (terá sido o que se passou em Tunguska, em 1908) e há centenas de crateras que testemunham colisões desta escala, ou até maiores, um pouco por todo o mundo. Mas a maioria não deixou qualquer testemunho quer pelo efeito da erosão quer porque a maioria da superfície terrestre está coberta de água.

Actualmente, a maior ameaça meteórica conhecida (porque certamente que há mais: por descobrir) é o Apophis com os seus notáveis 320 metros de diâmetro. Apophis tem uma elevada probabilidade de impacto de 1 para 17 a 13 de abril de 2029… Estas probabilidades foram depois corrigidas para 1 em 150 mil em 2068 mas há outro asteróide potencialmente perigoso: trata-se de Bennu, com 525 metros de diâmetro que, em 2175 e 2199, terá 1 possibilidade em 2700 de colidir com o nosso planeta.

E mesmo se Apophis ou Bennu não colidirem connosco a aproximação será tão grande que é provável que sejam atraídos para a Terra e que essa colisão se concretize na próxima passagem com uma energia de impacto estimada em mais de mil megatoneladas de TNT e uma zona de destruição (para Apophis) entre os 700 a 1000 Km de diâmetro mas as consequências na ionosfera e na atmosfera seriam globais e durariam alguns dias. Estima-se que todos os materiais combustíveis seriam incendiados num raio de perto de 200 Km e que uma vaga de incêndios teria, pelo menos, o dobro desta extensão.

Perante a escala da ameaça representada por Apophis ou por um dos seus irmãos de menor dimensão e por descobrir o que podemos fazer? O plano já existe e foi delineado pela NASA começa pelo lançamento de uma missão robótica de reconhecimento para recolher mais dados. Com estes novos elementos seria possível lançar uma ou várias naves que colidiriam com o asteróide alterando a sua órbita ou acoplando no mesmo ligando propulsores que aumentariam a escala deste efeito. As duas abordagens seriam tanto mais eficazes quanto mais precoce fosse a sua detecção.

A melhor resposta depende muito da natureza do objecto: se este for pouco sólido um impacto ou explosão (química ou nuclear) pode ser suficiente para o dispersar desde que não esteja já demasiado perto da Terra. Um efeito ainda melhor pode ser obtido através da colisão de várias sondas com o objecto, em sucessão e em posições diferentes, ao longo de uma janela de tempo sendo que alguns poderão ser antigos satélites desactivados que afastarão o objectivo apenas pela energia cinética dissipada na colisão.

Seja qual for o próximo asteróide de grandes dimensões ou quando essa colisão ocorrer é inevitável que esta ocorra e que tenha consequências globais e locais de grandes consequências, mesmo para objectos com – apenas – algumas centenas de metros de diâmetro. Se se tratar de um objecto com quilómetros, dependendo do local e do ângulo, podemos estar perante um evento que coloca em risco a vida no planeta, destrói um continente ou um conjunto de países. A escala desta ameaça já deveria ter convencido a Humanidade a montar um sistema global de resposta e deflecção destas ameaças globais ou – por comparação – a actual Crise COVID-19 parecerá irrisória quando o céu cair sobre as nossas cabeças. Literalmente.

Martins, Rui

PEDAÇOS DE SABER

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