História de Lisboa

Simbologia da estátua equestre de D.José I
1 A estátua equestre de D. José I (1714-1777) e está situada no centro do Terreiro do Paço tendo sido inaugurada no seu aniversário de 1775 (5 de Junho)
A estátua é obra de Machado dos Santos e foi fundida por Bartolomeu da Costa. Ocupa o centro de um triângulo que une o arco da Rua Augusta às portas das torres laterais da Praça do Comércio.
2 Todo o conjunto sobrepõe-se ao plano do Convento de Mafra (capital espiritual de Portugal sendo Lisboa a capital material) e a estátua de Dom José I ocupa o mesmo lugar do altar. Na base da estátua um menino coroado recebe de Roma aniquilada as armas de Lisboa simbolizando Lisboa como a capital do novo Império (o Quinto). Aos pés do menino um dignatário oferece uma arca aberta que contém um tesouro enquanto que o arquiteto descreve à Virgem o novo plano da cidade de Lisboa.
3 Dom José I está vestido à romana e enverga uma capa da Ordem de Cristo empunhando o ceptro imperial sob um cavalo que pisa as serpentes (o Mal). Debaixo, aos lados, temos o Triunfo (o cavalo) e a Fama (o elefante) que simbolizam também o Ocidente e o Oriente assim como os anjos que dominam o homem idoso representam as tradições espirituais do Ocidente e do Oriente que se unem em Lisboa. 4 Fonte principal Lisboa Insólita e Secreta de Vitor Manuel Adrião

1 Todos os anos, em Setembro, e em breve em mais datas, a Câmara Municipal de Lisboa abre ao público as galerias subterrâneas da Rua da Prata durante 3 dias.
Isto ocorre porque as galerias estão inundadas e é necessário expulsar a água à força de bombas. O acesso é feito via uma entrada na Rua da Conceição (nº 77)
2 Este rede de galerias era um pórtico de uma construção situada ao pé do cais de Lisboa. São uma construção destinada a suportar o peso dos edificio sobre as mesmas, talvez instalações de apoio ao cais. A rede foi considerada um estabelecimento termal desde a sua descoberta em 1771 durante a reconstrução do bairro após o terremoto de 1755.
3 A rede das galerias romanas tem forma octogonal de altura decrescente e foi aqui encontrada uma lápide a Esculápio (razão pela qual se julgou tratarem-se de termas)
Há vestígios de uma construção da época púnica (da Lisboa cartaginesa) mas a construção parece recuar ao século I d.C. e à época de Júlio César ou Cláudio.
4 Fonte principal A Lisboa em Pessoa – João Correia Filho

 

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A estátua equestre de D. José I (1714-1777) e está situada no centro do Terreiro do Paço tendo sido inaugurada no seu aniversário de 1775 (5 de Junho)

A estátua é obra de Machado dos Santos e foi fundida por Bartolomeu da Costa.

Ocupa o centro de um triângulo que une o arco da Rua Augusta às portas das torres laterais da Praça do Comércio.

2
Todo o conjunto sobrepõe-se ao plano do Convento de Mafra (capital espiritual de Portugal sendo Lisboa a capital material) e a estátua de Dom José I ocupa o mesmo lugar do altar.

Na base da estátua um menino coroado recebe de Roma aniquilada as armas de Lisboa simbolizando Lisboa como a capital do novo Império (o Quinto). Aos pés do menino um dignatário oferece uma arca aberta que contém um tesouro enquanto que o arquiteto descreve à Virgem o novo plano da cidade de Lisboa.

3
Dom José I está vestido à romana e enverga uma capa da Ordem de Cristo empunhando o ceptro imperial sob um cavalo que pisa as serpentes (o Mal).

Debaixo, aos lados, temos o Triunfo (o cavalo) e a Fama (o elefante) que simbolizam também o Ocidente e o Oriente assim como os anjos que dominam o homem idoso representam as tradições espirituais do Ocidente e do Oriente que se unem em Lisboa.

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Fonte principal
Lisboa Insólita e Secreta de Vitor Manuel Adrião

1 Segundo a tradição o Arco da Rua Augusta foi construído para que um dia o Rei Desejado o pudesse atravessar.
O Arco anuncia a ressurreição espiritual marcada pela cruz de Santo André no seu tecto com a rosa no centro que simboliza o Rei Encoberto ou Oculto (no botão da rosa).
A fachada para a Rua Augusta, com o seu relógio, representa o tempo que falta para o advento do Quinto Império.
2 o Arco foi concebido na época pombalina mas apenas foi a concurso em 1843 sob o governo de Costa Cabral e a sua construção só se iniciou em 1862 terminando em 1873 sob projecto de Veríssimo José da Costa com intervenções dos escultores Vítor Bastos e do francês A. C. Camels
3 A escultura sobre o Arco representa a Lusitania Gloriosa glorificando Apolo e Minerva (a Iluminação e a Compreensão) ou, segundo outros, a Glória coroando o Génio e o Valor. 4 Fonte principal Lisboa Insólita e Secreta de Vitor Manuel Adrião

O Castelo de Sesimbra

O Castelo situa-se num morro sobre a vila de Sesimbra e está cercado pela Arrábida
Não se conhece a origem da ocupação humana do local onde hoje se ergue o castelo Durante a época muçulmana foi construído um castelo que protegia os agricultores das terras vizinhas mas estava à margem das redes defensivas muçulmanas da região.
Por esta razão o castelo foi conquistado em 1147 por Afonso Henriques
🙂

História da Freguesia de Arroios (Lisboa)
Breve resumo da História de uma das freguesias centrais de Lisboa e, certamente, a mais diversa, com mais de 90 nacionalidades em coexistência.

Fontes e Bicas de Arroios

Rua do Poço dos Negros – origem deste topónimo de Lisboa

Criptojudeus de Belmonte (1ªparte)

Se há terra portuguesa onde a presença judaica seja forte Essa terra é Belmonte. Com efeito, aqui a cultura e tradição hebraicas sobreviveram a perseguições e repressão desde os começos do século XVI até aos dias de hoje.

A Judiaria de Belmonte estende-se desde as actuais ruas da Fonte da Rosa e Rua Direita. Em 1287, foi inaugurada a primeira sinagoga de Belmonte (depois convertida ao culto cristão) Após o édito de expulsão dos judeus de Dom Manuel, um grupo pequeno mas resistente de criptojudeus mantiveram-se aqui activos, até aos dias de hoje.

Criptojudeus de Belmonte (2ªparte)
O testemunho mais antigo do Judaísmo em Belmonte é a lápide com uma inscrição em hebraico com a data de 1297 e que estaria na Sinagoga. Esta lápide prova a existência de uma presença judaica antes da expulsão dos judeus de Espanha, em 1492. É contudo seguro dizer que então esta comunidade foi reforçada com novos migrantes. É igualmente certo afirmar que esta comunidade se tornou secreta a partir de 1496 quando Dom Manuel I publica o édito de expulsão dos Judeus, forçando-os à conversão ou à expulsão. É a partir de então que passam a ser conhecidos por “marranos”

O termo “marranos” usa-se para designar os judeus que, tendo sido convertidos à força ao cristianismo, continuam as suas práticas e credos religiosos hebraicos mas de forma secreta. A palavra tem origem na expressão hebraica “mar anus” que significa “baptizado à força”. Daqui veio o castelhano “marrano” que, ademais, era o termo comum para “porco” e que rapidamente foi usado como uma forma pejorativa de tratar a comunidade judaica.

Sete colinas de Lisboa

Ulisses e a lenda de Ofiussa em Lisboa

Mistérios e iniciação nos Jerónimos

1- Uma das várias “mãos de Deus” da Igreja dos Jerónimos, parte de um ritual de iniciação em que os futuros navegadores deviam procurar a coluna com a “mão de Deus”, que deviam tocar (o que explica o desgaste que se observa no motivo).
2. No Claustro do Mosteiro dos Jerónimos encontramos um ouroboros no tecto. Símbolo de eternidade, renovação alquímica da matéria e unidade do cosmos e do infinito a serpente que morde a sua própria causa é um símbolo que se repete (várias vezes) no claustro da Sé Catedral de Lisboa e que também surge no Convento da Madre de Deus (no Claustrim).
3. No painel central do grandioso pórtico sul do Mosteiro dos Jerónimos encontramos o Infante Dom Henrique. A posição onde se encontra a sua estátua está carregada de valor simbólico, estando no eixo que separa o “céu” da “terra” (Nossa Senhora dos Reis Magos e Arcanjo São Miguel). Dom Henrique é aqui tanto mais invulgar, porque é o único “homem comum” representado nesta fachada, o de evidencia a sua importância para o projeto quinto imperial que então Portugal estava a construir.

4. O Infante Dom Henrique designava a região onde se viria a construir o Mosteiro dos Jerónimos como “Beth-Lehem”, isto é, a “casa do pão” em hebraico. Esta poderia ser uma alusão ao local onde esperava – no seu magistral plano quintoimperial – lançar as bases do novo Homem, iniciado em Cristo e no Império, novo Cristo que partiria a desbravar e a evangelizar o mundo.

5. Antes do Mosteiro dos Jerónimos ser construído existia neste local uma Capela da Ordem de Cristo que prestava “apoio espiritual” aos navegadores que destas praias (então ainda a poucos metros da atual fachada do mosteiro) partiam para as Descobertas. Seria nesta capela que se desenrolavam as cerimonias de iniciação que depois foram transferidas para o interior do mosteiro, e nomeadamente para a Igreja dos Jerónimos.
6. No pórtico sul do Mosteiro dos Jerónimos podemos observar representações do Sol e da Lua, assim como dois medalhões com as efígies do rei e da rainha. Um e outro símbolo aludem à dualidade sexual (Enxofre-Mercúrio) da matéria e à conjugação harmoniosa que o Adepto tem que cumprir na Grande Obra para alcançar o Rubedo e o consequente sucesso.
7. Num medalhão do Claustro do Mosteiro dos Jerónimos encontramos uma rosa solar aberta (valendo pela “vida”) sobre a cruz do calvário (morte), numa clara alusão ao Renascimento e à Regeneração que se pode alcançar pela Pedra dos Filósofos e pela rectidão de percurso na Grande Obra.
8. No friso do pórtico sul do Mosteiro dos Jerónimos podemos observar os símbolos da corda, da seta de cupido e do ovo filosófico (matrás alquímico). A corda – motivo templário – vale pela união entre Iniciados que se cumpria nesta local que iniciação que era o mosteiro; o Ovo representa o recipiente onde decorre a evolução da Materia Prima até ao estado mais puro e iluminado (a Pedra Filosofal, que aqui pode ser tanto uma expressão de Alquimia Espiritual, como de Material). A seta de Cupido, por fim, refere-se ao Amor, referido na Sé de Lisboa pelos vários “pássaros que se beijam” e que liga à ideologia dos trovadores e jograis de finais da Idade Média, verdadeiros porta-vozes da Igreja de João e do Templarismo.
9. No pórtico sul do Mosteiro dos Jerónimos encontramos também (como na Sé de Lisboa), o Arcanjo São Miguel, guardião de Portugal e do mundo e que – pela sua espada flamejante – alude ao Mercúrio dos Filósofos, o dissolvente que tudo mistura e que tem um papel determinante no sucesso da Obra de Hermes.
10. Na Igreja de Santa Maria de Belém podemos encontrar o Rectângulo de Ouro ou Secção de Ouro, aqui colocado pelo grande arquiteto dos Jerónimos, Mestre Boitaca. Símbolo da expressão do Logos de João e do Fogo, elemento que anima a matéria morta e a conduz ao desenvolvimento pleno.
11. A ocidente do Claustro do Mosteiro dos Jerónimos, Boitaca concebeu um caminho iniciático que começa no local onde encontramos um X num medalhão. Este símbolo vale aqui por Cristo e pelo Fogo (como a Secção de Ouro da planta da igreja). O caminho iniciático termina num Sol antropomorfizado que vale pela ascensão do iniciado a esse novel patamar. Ao longo deste caminho, dispõem-se vinte medalhões e oito quadros esculpidos, um por cada passo de iniciação que o neófito tem que saber vencer até conseguir alcançar o Sol, o seu objetivo final.

Sé Catedral de Lisboa (1ªparte)-Esoterismo e Alquimia

Uma das lendas da fundação de Lisboa, alude à fundação da cidade por Ulisses, que aqui se terá apaixonado por Ofiussa, a rainha das mulheres-serpente. Quando Ulisses decidiu regressar à sua Ilha de Ítaca, Ofiussa ficou tão furiosa que fez tremer a planície onde estava Lisboa criando assim as Sete Colinas. Onde hoje se erguem sete igrejas, sendo esta, da Sé, uma delas.

No período visigótico já existia neste local algum tipo de atividade religiosa, como comprova uma lápide no flanco exterior norte da Sé. Na época romana, o Fórum de Lisboa parece ter funcionado aqui, o que quer provavelmente dizer que haveria também aqui um povoado pré-romano ou um templo pré-romano. Isto mesmo indicia a proximidade do Teatro (na vertente do Largo de Santiago) e a antiga Porta de Ferro na mesma encosta, construída no mesmo local onde se pensa que existia um arco triunfal romano.

Sé Catedral de Lisboa (2ªparte)-Esoterismo e Alquimia

A Sé Catedral de Lisboa teve como primeira designação “Igreja de Santa Maria Maior” (ainda hoje, o nome desta paróquia e agora nome da atual freguesia agregada). Sendo “Santa Maria Maior” outro nome da “Nossa Senhora das Neves“, o qual provém da tradição em que um casal romano, que havia pedido à Virgem um sinal sobre como poderia gastar a sua fortuna. Em sonhos, a Virgem respondeu dizendo que o local onde queria que construíssem uma basílica seria aquele que aparecesse coberto de neve, em agosto. Tal aconteceu, na noite de 4 para 5 no Monte Esquilino, em Roma, tendo sido este então o local se haveria de erguer a Basílica de Santa Maria Maior de Roma.
A Sé foi mandada construir por D. Afonso Henriques em 1150, apenas 3 anos depois de ter tomado a cidade aos muçulmanos, no local onde funcionava uma mesquita almorávida. O projeto segue as grandes linhas da Sé de Coimbra. E a primeira fase de construção, no estilo românico teria cabido a Frei Roberto de Lisboa, mestre dos Monges Construtores (que se presume de origem normanda), coadjuvado pelo mestre Bernardo.
A Sé de Lisboa é posterior à Sé de Coimbra, local onde terão trabalhado os mesmos mestres construtores. A maior diferença entre as duas construções consiste na existência em Lisboa de mais um tramo e de torres, para além de arcos e pilares num estilo românico mais evoluído que o da Sé de Coimbra.

Torre de Belém – Simbolismo e Esoterismo

A Torre de Belém está construída naquele que é um dos melhores exemplos do estilo gótico manuelino. Trata-se de um baluarte em que a torre é composta por quatro andares, um por cada um dos Quatro Elementos da matéria na visão alquímica do mundo.

A Torre de Belém é um dos monumentos mais conhecidos em Portugal e no mundo.É uma síntese entre a torre de menagem de tradição medieval e o baluarte moderno, onde se dispunham peças de artilharia.

Ao longo do tempo a torre foi perdendo a sua função de defesa da barra do Tejo e, a partir da ocupação Filipina, os antigos paióis deram lugar a masmorras. Nos quatro pisos da torre, mantêm-se a Sala do Governador, a Sala dos Reis, a Sala de Audiências e, finalmente, a Capela com as suas características abóbadas quinhentistas.A Torre de São Vicente (1514) pertence a uma formação de defesa da bacia do Tejo mandada erigir por João II de PortugalO monumento destaca-se pelo nacionalismo implícito, visto que é todo rodeado por decorações do Brasão de armas de Portugal, incluindo inscrições de cruzes da Ordem de Cristo nas janelas de baluarte; tais características remetem principalmente à arquitetura típica de uma época em que o país era uma potência global (a do início da Idade Moderna).

De https://pt.wikipedia.org/wiki/Torre_de_Bel%C3%A9m

A capela da Torre de Belém apresenta o chão composto por um xadrez que recorda o chão da cripta neotemplária da Quinta da Regaleira. No seu centro, encontramos um octógono, outro símbolo templário que simboliza a regeneração espiritual pela comunicação entre a Terra (quadrado) e o Céu (círculo).

Na sala da capela da Torre de Belém encontramos uma cabeça, no canto a noroeste, a aproximadamente um metro de altura. Sob esta cabeça (bafomética?) Encontramos uma suástica de cinco braços no centro de uma estrela de seis pontas. Sobre a cabeça surge o Fogo, como se o movimento circular e solar da suástica (símbolo do Sol) regenera-se o indivíduo que aqui era iniciado (porque este era um local de Iniciação neotemplária). Recordemos ainda que o Cinco é o símbolo do Todo (soma do primeiro número par, o feminino Dois e do primeiro número ímpar, o masculino três) e das Cinco Chagas de Cristo.

https://ogrunho.wordpress.com/2013/10/24/29439/amp

O alquimista do túmulo de D.Fernando

Foi Almeida Garrett o primeiro a chamar a atenção para a presença de uma figura a que chamou de “o alquimista”. Não é só esta figura que é excepcional neste túmulo. De facto, toda a iconografia o é, igualmente. Sendo intrigante que não tenha feito escola nem merecido seguidores, o que demonstra o caráter excepcional desta encomenda real.

Como sucede, em muitas obras de arte, este túmulo é uma obra muito complexa, com várias linhas interpretativas possíveis e paralelas. Existem assim várias interpretacoes possiveis, desde a Historica, Artistica e, claro, sem esquecer, a Esotérica ou Alquímica.

Dom Fernando não escolheu Lisboa para local do seu túmulo (onde hoje se encontra, mais especificamente, no Convento do Carmo), mas o convento de São Francisco de Santarém. Esta escolha permite compreender melhor a iconografia do túmulo e exprime a devoção pessoal do monarca pela ordem franciscana e na sua capacidade para contribuir para a salvação da sua alma.

Em 1844, o convento de São Francisco foi transformado em local de acolhimento para o Regimento de Cavalaria número 4 e então, todos os túmulos são violados, incluindo-se nestes o de Dom Fernando. Foi nessa época que desapareceu a ossada do monarca, provavelmente atirada com a do vice-rei Dom Francisco de Almeida para a cerca do quartel. Na altura (segundo Ramalho Ortigão) o túmulo de Dom Fernando seria tornado num bebedouro para os cavalos do regimento.

No testamento de 1383, Dom Fernando refere-se ao túmulo como “obra acabada” e faz questão de o mandar cobrir com um pano indicando que se trata de “um túmulo sem jacente”. A inscrição, contudo, não estava gravada, e seria colocada apenas depois da morte do monarca.

No túmulo de Dom Fernando, encontramos duas molduras com bustos. Do lado direito do rei, um homem homem olha para ele. Pode tratar-se de um franciscano (pela sua tonsura). A importancia da posição da figura no túmulo pode indicar que se trata de algum muito próximo ao monarca ou do ideologo deste túmulo e, logo, responsável pela escolha da intrigante figura do alquimista.

Encontramos vários “homens verdes” neste túmulo de Dom Fernando. Nestas figuras, a boca é o órgão da palavra e da respiração, por Deus insufla a vida e a alma.
Os homens-verdes são comuns nas catedrais góticas. A primeira identificacao dos mesmos foi feita por Lady Raglan, em 1939. Especialmente comuns na arte gótica nas igrejas portuguesas, estas figures surgem também no continente europeu e, em Portugal, na Arte Manuelina.
Segundo o historiador português Paulo Pereira, os Homens Verdes são uma alegoria do tempo e dos ciclos das colheitas, uma ligação que é particularmente clara na igreja de São Baptista de Tomar, cujo orago se liga às festas do solstício. Na Inglaterra medieval, as procissoes medievia incluiam frequentemente homens verdes, cobertos de folhagens.
A presença destas figuras alude à passagem do tempo, pelo ciclo da “roda da vida”, como surge, por exemplo, no túmulo de Dom Pedro I.
A figura tem óbvias origens pagas, mas permanece apesar disso muito popular no gótico medieval. Por exemplo, na misteriosa capela de Rosslyn a figura surge nada mais nada menos que 103, contra apenas uma figuracao de Cristo.

A figura mais intrigante do túmulo de Dom Fernando é, sem dúvida, a do alquimista.
A figura esta coberta com um chapeu que na arte medieval surge frequentemente na cabeça de alquimistas e tem aqui um especial relevo porque se trata da única peça de vestuário que a figura ostenta. A cadeira com espaldar onde está sentado é um conhecido símbolo de autoridade academica ou política.
Numa mão, o alquimista ergue o Vaso dos Filósofos, onde matura a Pedra Filosofal.
O alquimista está – numa representação muito rara, senão mesmo única – preso a uma corda amarrada ao pescoço que depois está presa, a um pesado cepo. A figura está numa sala com vários vasos, frasco, uma ampulheta e um almofariz. Trata-se aqui de um evidente “labor-a-torium” alquímico.
Podemos estar aqui perante uma referência aos perigos da alquimia, expondo a punição a um alquimista que tenha colocado em risco a vida do monarca, ou porque se revelou um embuste porque o seu Elixir não se revelou eficaz em curar as maleitas do rei, ou seja, uma própria marca do arrependimento do monarca para com a sua crença na Ars Magna.

PEDAÇOS DE SABER

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